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Religião na Inglaterra

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Religião na Inglaterra

Mensagem por Kelvin Brayan em 18th Julho 2011, 18:03

Quais são as diferenças entre presbiterianos e puritanos?

Só sei que essas duas religiões são oriundas do calvinismo, tanto é que os calvinistas ingleses são conhecidos como puritanos, os calvinistas escoceses por presbiterianos e os calvinistas franceses por huguenotes.

Essa diferença se limita apenas quanto à posição geográfica?

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"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
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Re: Religião na Inglaterra

Mensagem por EuclidesPiR2 em 18th Julho 2011, 19:43

Citação (Rev. Dr. David Martyn Lloyd-Jones)

"Aproximadamente até 1570 os puritanos eram pessoas que podem ser descritas como membros da Igreja da Inglaterra incessantemente críticos e ocasionalmente rebeldes, e que desejavam alguma modificação no governo da Igreja e no culto. Vocês podem pensar em exemplos e ilustrações disso. Eram membros da Igreja da Inglaterra. Seu único interesse era que a Reforma fosse além. Achavam que a Igreja da Inglaterra tinha parado a meio caminho entre Roma e Genebra, e desejavam que a Reforma fosse realizada mais completamente nas questões de cerimônias, disciplina e coisas semelhantes. Essa foi a situação até mais ou menos a época em que Thomas Cartwright e outros começaram a pôr em relevo o conceito presbiteriano de governo da Igreja.

E muito importante lembrar que Cartwright, como aqueles outros anglicanos aos quais me referi, não era um separatista. Ele acreditava, e os presbiterianos acreditavam com ele, que eles poderiam reformar a Igreja da Inglaterra em termos presbiterianos, e que poderiam transformá-la numa Igreja Presbiteriana. Por essa razão não eram separatistas. Mas pouco depois vieram a existir os chamados separatistas. De fato, a primeira igreja separatista deste país foi provavelmente uma igreja formada aqui em Londres em 1567 por um homem chamado Richard Fitz; entretanto ela teve uma história muito curta e variegada. É quando se chega a gente como Robert Browne e Robert Harrison, na década de 1580, que os separatistas vêm uma boa e clara definição."


Outra citação (Rev. Alderi Souza de Matos)

"A Reforma religiosa do século dezesseis deu origem, de modo direto ou indireto, aos diversos grupos que hoje constituem o protestantismo. Os nomes adotados por essas igrejas podem derivar do próprio nome do seu fundador ("luteranos", "menonitas"), de uma convicção doutrinária primordial ("batistas", "pentecostais") ou de sua estrutura eclesiástica e forma de governo ("episcopais", "congregacionais"). Nesta última categoria também se incluem os "presbiterianos."

As igrejas presbiterianas têm suas raízes na obra dos dois reformadores que entraram em cena pouco depois do pioneiro Martinho Lutero. Foram eles o suíço de língua alemã Ulrico Zuínglio (1484-1531) e o francês João Calvino (1509-1564), que atuaram ambos na Suíça, o primeiro em Zurique e o segundo em Genebra. Com a morte prematura de Zuínglio, Calvino tornou-se o principal líder e teólogo do movimento. No continente europeu, as igrejas que abraçaram a teologia e a estrutura eclesiástica preconizadas por Calvino adotaram o nome de "Igrejas Reformadas," principalmente em países como a própria Suíça, a França, a Holanda e a Hungria.

O nome "Igreja Presbiteriana" popularizou-se nas Ilhas Britânicas a partir da obra do reformador escocês João Knox (c.1514-1572), que foi discípulo de Calvino em Genebra. Eventualmente surgiram fortes comunidades presbiterianas na Escócia, Irlanda e Inglaterra. Através da imigração, os escoceses e irlandeses levaram o presbiterianismo para os Estados Unidos nos séculos dezessete e dezoito. Dos Estados Unidos, especialmente com o grande movimento missionário protestante do século dezenove, as igrejas presbiterianas e o nome "presbiteriano" foram introduzidos em muitos países do hemisfério sul. Entre esses países estava o Brasil, que teve como pioneiro presbiteriano o Rev. Ashbel G. Simonton, aqui chegado em 1859.

O termo "presbiteriano" decorre do fato de que nas igrejas desse nome o governo é exercido por "presbíteros." A palavra grega presbyteros encontra-se no Novo Testamento e significava originalmente "ancião," "homem idoso." À semelhança do que acontecia entre os judeus, também na igreja primitiva a liderança era exercida pelos membros mais experientes da comunidade, geralmente, mas não necessariamente, homens mais velhos. Eventualmente, o termo passou a ter um sentido técnico de líder da igreja e o aspecto da idade ficou em segundo plano. Assim, encontramos referências aos presbíteros em passagens bíblicas como Atos dos Apóstolos 11.30; 14.23; 15.2; 20.17; 1 Timóteo 5.17; Tito 1.5; Tiago 5.14; e 1 Pedro 5.1. Também encontramos o coletivo "presbitério" ou concílio de presbíteros em 1 Timóteo 4.14.
Portanto, seguindo o precedente bíblico, nas igrejas presbiterianas a liderança é exercida pelos presbíteros, os quais se subdividem em duas categorias – os presbíteros "regentes" (que governam), voltados primordialmente para funções administrativas, e os presbíteros "docentes" (que ensinam), ou seja, os ministros ou pastores. Esses dois tipos de presbíteros tem a mesma paridade, não se constituindo em uma hierarquia. Todavia, os pastores ou presbíteros docentes têm algumas funções privativas, como o ministração dos sacramentos. Os presbíteros exercem as suas funções em vários níveis: localmente, no "conselho" de cada igreja; em âmbito regional, nos presbitérios e sínodos; em âmbito nacional, no Supremo Concílio."

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